1"EU SEI MUITO bem do que vocês estão falando. Já vi muitos casos semelhantes e conheço de sobra este problema.
2Conheço a vida tão bem quanto vocês; não sou um ignorante.
3Por isso é que eu reclamo da minha sorte perante o Grande Deus e tento me defender, provando que sou inocente,
4porque vocês torcem o sentido das minhas palavras. Vocês são médicos que não sabem descobrir doenças!
5Se vocês calassem a boca mostrariam mais sabedoria do que me dando esses conselhos tolos!
6Ouçam bem as minhas razões, escutem com atenção a minha defesa!
7De que adianta vocês falarem essas mentiras tolas e pensarem que são mensageiros de Deus?
8Será que Deus ficaria satisfeito em ver que vocês torcem a verdade para provar que Ele está certo?
9Pobres de vocês se Ele lhes mostrasse o que há em seus corações! Sabem o que estão fazendo? Estão zombando de Deus
10e por isso Ele lhes dará um castigo severo, pois vocês estão usando mentiras para "ajudar" o Senhor.
11Será que vocês não sentem medo diante da grandeza de Deus? Será que não se sentem pequenos diante do poder de Deus?
12Suas belas palavras valem tanto quanto um punhado de cinza. As bases de sua filosofia são fracas como colunas feitas de barro.
13Fiquem quietos por algum tempo e deixem-me falar; estou pronto a sofrer as conseqüências.
14Sim, vou arriscar tudo que tenho, minha própria vida, para defender minha inocência.
15Deus pode me matar por isto, e penso que vai fazê-lo; mas mesmo assim, vou mostrar que sempre agi com justiça.
16Uma esperança pelos menos tenho: não sou um pecador rebelde e desobediente e assim posso ao menos chegar perante Ele sem ser destruído.
17Escutem bem o que vou dizer; prestem atenção aos meus argumentos.
18Já tenho preparada a minha defesa. Eu sou inocente e afinal Deus vai me considerar inocente também.
19Não existe uma pessoa sequer capaz de provar que eu seja culpado de algum pecado. Se existisse ao menos uma pessoa, pararia de me defender e morreria.
20Oh Deus, eu peço apenas duas coisas para poder chegar sem medo à sua presença.
21E não me abandone! E não me assuste coma grandeza terrível do seu poder!
22Então, peça contas de minha vida e eu responderei; ouça a minha defesa e falarei.
23Mostre-me bem claramente quais são as minhas culpas e os meus pecados.
24Por que o Senhor se esconde de mim e me considera seu inimigo?
25Eu sou frágil, e sem valor como uma folha levada pelo vento, como um pedaço de palha seca; por que, então, se incomoda comigo e me persegue tão duramente?
26O Senhor preparou para mim um castigo terrível e me condenou pelos pecados que cometi quando ainda era um jovem sem juízo.
27O Senhor observa cada um dos meus passos e me obriga a andar pelo caminho que escolheu.
28O Senhor faz tudo isso, apesar de eu ser apenas como um tronco de árvore, caído e podre; como um trapo velho, comido pelas traças.